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Salmo 90 — A brevidade da vida e a eternidade de Deus

A brevidade da vida e a eternidade de Deus
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1Senhor, tu tens sido o nosso refugio, de geração em geração.

2Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu és Deus.

3Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: Tornae-vos, filhos dos homens.

4Porque mil annos são aos teus olhos como o dia de hontem quando passou, e como a vigilia da noite.

5Tu os levas como com uma corrente d'agua: são como um somno: de manhã são como a herva que cresce.

6De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.

7Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.

8Diante de ti pozeste as nossas iniquidades: os nossos peccados occultos á luz do teu rosto.

9Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos annos como um conto que se conta.

10Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d'elles é canceira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.

11Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, assim é o teu furor.

12Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sabios.

13Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus servos.

14Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.

15Alegra-nos pelos dias em que nos affligiste, e pelos annos em que vimos o mal.

16Appareça a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus filhos.

17E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

Texto: João Ferreira de Almeida (1911) · Domínio Público · grafia atualizada

Que Salmo profundo este, meus irmãos! Moisés, o homem de Deus, nos leva a uma reflexão crucial sobre a nossa própria existência. Ao abrir com a declaração "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração", ele nos posiciona imediatamente na vasta tapeçaria do tempo, lembrando-nos que, antes de qualquer coisa, antes mesmo da formação do universo, já havia um Deus eterno. Essa verdade, de que Ele é o nosso abrigo constante, atravessando séculos e milênios, acalma a alma e nos ancora em meio à impermanência de tudo o que conhecemos. É um convite a olhar para trás, para a história de fé dos nossos antepassados, e ver a mão de Deus sustentando Seu povo. Nós fazemos parte dessa corrente, e Ele continua sendo o nosso porto seguro, o único que permanece inabalável.

A Fragilidade Humana e a Soberania Divina

Nós nos deparamos com uma verdade um tanto dura, mas necessária, nos versículos seguintes: a nossa vida é fugaz, comparada a um sonho que passa ou à erva que floresce pela manhã e seca à tarde. Moisés, com a sinceridade de um pastor, não nos poupa ao nos confrontar com a realidade de que somos pó e ao pó retornaremos. "Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos, filhos dos homens." Que contraste gritante entre a eternidade de Deus e a nossa brevidade! É nesse contexto de transitoriedade que Moisés nos lembra da ira divina contra o pecado. Nossas iniquidades, mesmo as ocultas, são expostas à luz do Seu rosto, e é por causa delas que a vida se torna um "conto que se conta", passageira e cheia de angústia. Mas o propósito aqui não é nos deprimir, e sim nos levar à sabedoria.

O Clamor por Sabedoria e a Graça Restauradora

É a partir dessa consciência da nossa fragilidade e da soberania de Deus que surge o clamor sincero: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios." Não é apenas sobre o tempo que temos, mas sobre como o vivemos. Queremos sabedoria para valorizar cada dia, para não desperdiçar a vida em coisas que não importam para a eternidade. E a oração não para por aí; há um desejo ardente pela restauração da graça divina. "Volta-te para nós, Senhor... Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias." Que linda imagem: a benignidade de Deus nos enchendo desde o início do dia, transformando a tristeza em alegria, a aflição em regozijo. Moisés nos convida a pedir que a beleza do Senhor esteja sobre nós, que Ele confirme a obra de nossas mãos, dando propósito e significado ao nosso trabalho. Que possamos, como ele, buscar um coração sábio que enxerga a eternidade em cada momento passageiro.

Quando orar o Salmo 90

Ore e medite neste salmo quando sentir o peso da brevidade da vida, a incerteza do futuro, ou quando precisar de uma perspectiva eterna para suas lutas e alegrias diárias. É um salmo para buscar sabedoria em meio à fugacidade da existência e para clamar pela benignidade e direção de Deus em todas as suas obras.

Oração

Senhor eterno, em meio à nossa breve existência, clamamos pelo Teu refúgio e sabedoria. Ensina-nos a valorizar cada dia e a viver para a Tua glória, confirmando a obra de nossas mãos com a Tua beleza. Em nome de Jesus, amém.

Perguntas frequentes sobre o Salmo 90

Quem escreveu o Salmo 90?

O Salmo 90 é atribuído a Moisés, sendo o único salmo em todo o Saltério que ele escreveu, de acordo com o cabeçalho.

Qual é o tema central do Salmo 90?

O tema central do Salmo 90 é a contrastante eternidade de Deus com a brevidade e fragilidade da vida humana, e a busca por sabedoria para viver nossos dias sob a perspectiva divina.

O que significa 'ensina-nos a contar os nossos dias'?

Esta frase é um pedido a Deus para nos dar sabedoria e discernimento para usar bem o tempo que nos foi concedido, vivendo cada dia de forma significativa e em conformidade com a vontade divina.

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