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Salmo 86 — A Súplica de um Coração Dependente

A Súplica de um Coração Dependente
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1Inclina, Senhor, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e afflicto.

2Guarda a minha alma, pois sou sancto; oh Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia.

3Tem misericordia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia.

4Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma.

5Pois tu, Senhor, és bom, e prompto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.

6Dá ouvidos, Senhor, á minha oração, e attende á voz das minhas supplicas.

7No dia da minha angustia clamo a ti, porquanto me respondes.

8Entre os deuses não ha similhante a ti, Senhor, nem ha obras como as tuas.

9Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome

10Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus.

11Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade: une o meu coração ao temor do teu nome.

12Louvar-te-hei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre.

13Pois grande é a tua misericordia para comigo; e livraste a minha alma da sepultura mais profunda.

14Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléas dos tyrannos procuraram a minha alma; e não te pozeram perante os seus olhos.

15Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, soffredor, e grande em benignidade e em verdade.

16Volta-te para mim, e tem misericordia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva.

17Mostra-me um signal para bem, para que o vejam aquelles que me aborrecem, e se confundam; porque tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

Texto: João Ferreira de Almeida (1911) · Domínio Público · grafia atualizada

Abraçamos o Salmo 86 como um espelho da nossa própria alma, um registro pungente das emoções humanas diante da grandeza de Deus. Davi, em sua angústia, não hesita em derramar seu coração diante do Senhor, revelando uma intimidade e uma franqueza que nos inspiram. Ele nos lembra que a oração não é apenas uma formalidade, mas um diálogo vital, um refúgio seguro onde podemos expor nossas fraquezas e dependências sem medo. É um convite para que também nós incline(mos) os nossos ouvidos a essa voz antiga e, através dela, encontremos eco para as nossas próprias súplicas.

Nos primeiros versos, vemos Davi apelando à misericórdia de Deus, não por mérito próprio, mas pela natureza divina. Ele clama: "Inclina, Senhor, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e afflicto" (v.1). Que honestidade! Ele não esconde sua vulnerabilidade, e isso nos ensina que a verdadeira fé não se envergonha de reconhecer a própria carência. É essa honestidade que abre o caminho para a intervenção divina, para que Deus, em sua bondade, se volte para nós e nos alegre a alma.

O Refúgio na Bondade Divina

À medida que o salmo avança, a súplica de Davi se transforma em uma profunda declaração de fé na singularidade e bondade de Deus. "Pois tu, Senhor, és bom, e prompto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam" (v.5). Aqui, somos lembrados de que nosso clamor não é dirigido a um deus distante e indiferente, mas a um Pai amoroso, cuja essência é a compaixão e a verdade. Ele nos ensina que, mesmo em meio às adversidades, há uma rocha inabalável de esperança: a certeza da bondade divina.

O Caminho do Servo Fiel

O anseio por um coração alinhado à vontade de Deus é expresso vividamente: "Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade: une o meu coração ao temor do teu nome" (v.11). Essa é a aspiração do servo que reconhece a soberania de Deus e busca viver de acordo com seus preceitos. Não é uma busca por conhecimento intelectual, mas por uma transformação interior que nos leve a um temor reverente, que nos une ainda mais a Ele. A oração de Davi culmina na certeza da libertação e na glorificação do nome de Deus, mesmo diante dos inimigos, porque a sua grande misericórdia nos livra da sepultura mais profunda.

Nós, como Davi, somos chamados a confiar plenamente nesse Deus "cheio de compaixão, e piedoso, soffredor, e grande em benignidade e em verdade" (v.15). Que possamos, então, buscar em cada linha deste salmo a inspiração para levantar a nossa alma ao Senhor, certos de que Ele nos ouvirá, nos guiará e nos consolará, mostrando-nos sempre um sinal de sua bondade.

Quando orar o Salmo 86

Este salmo é um bálsamo para o coração quando nos sentimos aflitos, necessitados, ou cercados por adversidades. É ideal para momentos de incerteza, quando buscamos a direção de Deus e necessitamos ser lembrados de Sua bondade e compaixão infindáveis. Orar com o Salmo 86 é um ato de profunda confiança na providência divina.

Oração

Senhor, inclina Teus ouvidos à nossa súplica, pois reconhecemos nossa fragilidade e buscamos refúgio em Tua inabalável bondade. Ensina-nos Teu caminho e une nosso coração ao temor do Teu nome, para que possamos glorificar-Te em todas as circunstâncias. Em nome de Jesus, amém.

Perguntas frequentes sobre o Salmo 86

O que significa 'pois sou sancto' no Salmo 86:2?

Nesse contexto, 'sancto' (ou piedoso, no hebraico *chasid*) refere-se à aliança de Davi com Deus e à sua devoção, não a uma impecabilidade, mas à sua fidelidade e confiança no Senhor.

Por que Davi pede um 'signal para bem' no Salmo 86:17?

Davi pede um sinal visível da ajuda de Deus para que seus adversários reconheçam a intervenção divina em sua vida, e para que ele próprio tenha a certeza da proteção e consolo do Senhor.

Qual é a principal mensagem do Salmo 86?

A principal mensagem é a dependência total de Deus em tempos de aflição, o reconhecimento de Sua singularidade e bondade, e o desejo de ter o coração alinhado à Sua vontade, confiando em Sua misericórdia e salvação.

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