Salmos
Salmo 66 — Louvor universal e livramento pessoal
1Jubilae a Deus, todas as terras.
2Cantae a gloria do seu nome; dae gloria ao seu louvor.
3Dizei a Deus: Quão terrivel és tu nas tuas obras! pela grandeza do teu poder se submetterão a ti os teus inimigos.
4Toda a terra te adorará e te cantará louvores: elles cantarão o teu nome (Selah).
5Vinde, e vêde as obras de Deus: é terrivel nos seus feitos para com os filhos dos homens.
6Converteu o mar em terra secca; passaram o rio a pé; ali nos alegrámos n'elle.
7Elle domina eternamente pelo seu poder: os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes (Selah).
8Bemdizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor:
9Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés.
10Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata.
11Tu nos metteste na rede; affligiste os nossos lombos.
12Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passámos pelo fogo e pela agua; mas nos trouxeste a um logar copioso.
13Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-hei os meus votos.
14Os quaes pronunciaram os meus labios, e fallou a minha bocca, quando estava na angustia.
15Offerecer-te-hei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; offerecerei novilhos com cabritos (Selah).
16Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que elle tem feito á minha alma.
17A elle clamei com a minha bocca, e elle foi exaltado pela minha lingua.
18Se eu attender á iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;
19Mas, na verdade, Deus me ouviu; attendeu á voz da minha oração.
20Bemdito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericordia.
Texto: João Ferreira de Almeida (1911) · Domínio Público · grafia atualizada
Caros irmãos e irmãs, ao nos aproximarmos do Salmo 66, somos imediatamente convidados a um coro de louvor que ecoa por toda a criação. "Jubilae a Deus, todas as terras", nos exorta o salmista. Não é um convite meramente poético, mas um chamado à nossa alma para reconhecer a magnitude e a glória de um Deus que se revela em obras tão "terríveis" – no sentido de inspiradoras de profundo temor e admiração – que até os Seus inimigos se submetem. Que alegria é saber que toda a terra, um dia, verdadeiramente se prostrará e O adorará, cantando o Seu nome com reverência.
Somos então instigados a "vir e ver as obras de Deus", uma proposta que nos tira da passividade e nos convida à contemplação ativa. O salmista nos lembra de feitos históricos grandiosos, como a travessia do Mar Vermelho e do rio Jordão – momentos em que a intervenção divina foi tão palpável que "nos alegramos n'Ele". Isso nos faz refletir sobre as grandes obras que Deus realizou na história da salvação, mas também sobre aquelas que Ele realiza constantemente em nossa própria vida e no mundo. Ele é o mesmo Deus que, com Seu poder, sustenta a vida, mantém nossos pés firmes e domina eternamente, atento às nações e impedindo a exaltação dos rebeldes.
O crisol da fé e o testemunho pessoal
Mas o salmo nos leva a uma profunda jornada de introspecção, onde o louvor se entrelaça com a experiência da provação. "Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata." Que imagem poderosa! Deus não apenas nos permite passar por dificuldades; Ele orquestra essas provações com um propósito refinador. As "redes", as "aflições nos lombos", os "homens cavalgando sobre nossas cabeças", o "fogo e a água" – tudo isso é parte de um processo divino para nos purificar, para remover as escórias e nos levar a um "lugar copioso", de abundância e liberdade.
É nesse contexto de livramento e restauração que a resposta do coração se torna um compromisso. Nossos votos, feitos na angústia, agora são cumpridos com alegria e gratidão, manifestados em holocaustos de louvor. O salmista, então, nos convida a uma partilha íntima: "Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito à minha alma." Que privilégio é ouvir um testemunho tão sincero! Ele nos lembra que Deus ouve o clamor da boca e o exalta, desde que não abriguemos iniquidade em nosso coração. Que nossa própria jornada seja um testemunho vivo da fidelidade de Deus, que "não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericórdia". Que possamos, como ele, bendizer a Deus por Sua incessante bondade.
Quando orar o Salmo 66
Este salmo é um guia poderoso para momentos de celebração e de dificuldade. Ore ou medite nele quando sentir a necessidade de expressar louvor pela grandeza de Deus, quando passar por provações e sentir-se refinado por elas, ou quando quiser testemunhar a fidelidade divina em sua vida, lembrando-se de que Ele ouve sua oração.
Amado Deus, Te louvamos por Tua majestade que se manifesta na criação e por Tua fidelidade que nos sustenta nas provações. Agradecemos porque Tu nos refinas como a prata e nos conduzes a um lugar de abundância, nunca rejeitando nossa oração nem desviando de nós a Tua misericórdia. Em nome de Jesus, amém.
Perguntas frequentes sobre o Salmo 66
Qual o significado da expressão 'Selah' no Salmo 66?
A palavra 'Selah' é uma instrução musical ou litúrgica que aparece frequentemente nos Salmos, indicando uma pausa para reflexão ou para a execução de um interlúdio instrumental.
Como o Salmo 66 descreve a relação de Deus com o sofrimento humano?
O Salmo 66 descreve o sofrimento humano como um processo de refinamento orquestrado por Deus, comparando-o à purificação da prata e ao atravessar o fogo e a água, com o propósito de levar o fiel a um 'lugar copioso' de bênção e restauração.